sábado, 27 de agosto de 2016

Presentes que a vida traz

Uma série de fatos interessantes e, por que não, coincidentes e cheios de sincronicidade, aconteceram. Podem ter sido acasos. Ou não. Um deles foi bastante simbólico e feliz.
Em uma conversa animada com uma amiga, falavam as duas sobre plantas e o quão bom cuidar delas é. Dias depois, uma presenteia a outra com uma linda muda de Árvore da Felicidade. Passados outros tantos dias, a presenteada teve a grata notícia de que a sua avó, em seu tempo terreno, tivera árvore da mesma espécie. Meses se seguiram e novamente um presente, desta vez de um rapaz simpático, como lembrança pelo aniversário: um delicado colar dourado com um pingente em madrepérola com o desenho dourado da mesma Árvore da Felicidade.
É a felicidade rondando, sob a vigília celeste da avó querida.
Gratidão. A quem couber.

sexta-feira, 26 de agosto de 2016

Homilia

"Não devemos temer a morte. Devemos sim temer uma vida medíocre."

quarta-feira, 6 de abril de 2016

Sobre tristeza e gratidão Divina

Era um dia comum, como tantos outros. Cheio, cansativo, que começou com café forte e coletivo cheio. Como de costume, no corrido intervalo de almoço, uma ligação ao celular permeava os passos rápidos em meio aos carros e pessoas igualmente apressadas. O repertório da conversa não foi bom. De um lado a voz embargava, refletindo em lágrimas do outro. A caminho da mesa do refeitório, com prato e talheres em mãos, as lágrimas cairam sobre o alimento, a face corou, e a tristeza deu o tempero daquele almoço em meio a desconhecidos.
Na mesa compartilhada, sentou-se ao lado de duas senhoras que conversavam com a tranquilidade e a serenidade que seus cabelos brancos lhes davam.
Entre olhares solidários e curiosos, a pergunta: É amor? A voz rouca sorriu chorosa e surpresa, disse que não, obrigada. Algumas garfadas depois, a senhora sorri e novamente indaga: posso te dar um presente? A face interrogativa e surpresa esboçou um sorriso tímido e acedeu entre murmúrios. Você trabalha aqui? Minha filha também. Ela escreveu esse livro, esteve muito doente e curou-se. Hoje ela conta às pessoas como foi essa época difícil que começou com uma tentativa gestação, passando pela descoberta do tumor, até a cura plena. Ela dá palestras também. Você deve ler rápido, o livro é bonito, fácil de ler e tem fotos. Olha como ela é bonita! Não sei o que te aflige, mas passa. Deus está no comando sempre. Preciso falar d'Ele, não sei se você acredita. Qual o seu nome? O meu é Flor. Tem meu telefone aqui no livro. Pode ligar se quiser. Tenho que ir. Que Jesus te abençoe.
E saiu com a leveza de um anjo, acompanhada pela amiga.
Sobre a mesa, um livro, lágrimas, talheres no ar e a sensação de que Alguém lá de cima havia enviado aquele carinho pra quem precisava tanto.

domingo, 14 de dezembro de 2014

Sozinha

Noite passada tive um dos maiores momentos de tristeza dos últimos tempos. Vem chegando o fim do ano, a cabeça toca o travesseiro e muitas reflexões boas e ruins vêm à mente. Chorei muito, por algumas horas, pensando no quanto eu não gostaria de estar na situação em que estou. E quem sabe tentar mudar nesse novo ano que vem em breve...
Perdi contato com muitos dos meus amigos. Ninguém mais me liga, não participei de nenhuma festinha de confraternização de fim de ano. Talvez não haja tanta fraternidade assim. Estou indo infeliz para passar o Natal na casa da sogra, não queria. Meus amigos estão muito ocupados para me encontrar no final de semana. E durante a semana, o forte ritmo de trabalho não me deixa forças pra encontrar ninguém. 
De repente me vejo em uma situação financeira complicada, sustentando um marido que não consegue emprego há 8 meses, que não me faz feliz em tão pouco tempo de casamento e que terapia nenhuma me faz ver lado positivo de coisa alguma. A chuva lá fora não para, parece até que se solidarizando comigo.
Preciso falar com alguém, contar o que me amargura. Mas pra quem? Pais, que não me compreendem? Amigos que mal sabem o que se passa e que provavelmente acham um exagero enorme da minha parte ficar triste assim em função de uma situação temporária?
Só vejo tudo ficar mais triste, mais opressor. Não me cuido, não tenho roupas novas nem ânimo para procurar em lojas. Não consigo planejar minhas próximas férias, coisa que sempre fiz e amei fazer. 
Tudo parece uma grande obrigação, uma rotina infinita que tirou meu brilho, minha alegria de viver, minha paz.
Vontade de sumir e só voltar quando tudo acabar. E melhorar.

terça-feira, 8 de julho de 2014

À flor da pele

Pronto. Escrevi um texto enorme e amargo e apaguei sem querer.
Talvez não fosse mesmo para ser registrado.
Azedume.

quinta-feira, 15 de maio de 2014

E se... Será?!

E se essa depressão não passar?
E se ela atrapalhar meu relacionamento?
E se já tiver atrapalhado?
E se eu quiser jogar tudo pro alto?!

Será que vou ter coragem?
Será que me vou me arrepender?
Será que vou ficar sozinha pra sempre?
Será que algum dia vou ser feliz de novo?

Não sinto saudade,
Não sinto vontade,
Não sinto nada...
Só uma angústia infinita...

quinta-feira, 24 de abril de 2014

Fragilidade

Por trás da fachada de durona e bem sucedida está a mais pura fragilidade. Havia tempos que tantas lágrimas não desciam. Talvez estavam bem ali, acumuladas, brilhantes, loucas por sentir a brisa nem sempre agradável do exterior.
(Dos idos tempos das Memórias da Menina Solitária vem a escrita livre. Os escrita de livre associação, automática. Ok, nem tão automática assim... Freud não faria por escrito, o voluntário mascara o inconsciente. Daqui pra frente, o estado de semi-sono prevalece e o texto tornar-se-á imprevisível.)

Paulada, pancada, provação, teste. Confusão de idéias, sensação de egoísmo, pecado, fala comedida e cercada de medo. Medo de magoar (o que faço muito bem com quem amo), de falar o que realmente vem à cabeça. Os olhos se fecham, inchados e vermelhos, próximos ao travesseiro úmido em salmoura. Soluços. O nó aperta a garganta, uma vontade louca de falar pra alguém, desabafar, e a tecnologia facilita a escrita, já que a voz não sai. Os olhos de quem está longe em distância mas sempre junto de coração acompanham minha agonia de dígitos trêmulos e palavras erradas. Mas mesmo assim a verdade não sai. Ela traz vergonha de tantos pensamentos baixos (com filtro do consciente) e fortes, incontroláveis.
Aconteceu o que aconteceu, como diria Marisa Monte. E me abalou. Me tirou do aparente conforto, da alegria dos acontecimentos da manhã. Foi o meio dia (ou 13 horas?) mais duro dos últimos tempos. A ligação despretensiosa teve como resposta um solavanco e muitas lágrimas.
Fui acolhida, escutada, em meio a soluços em uma sala imediatamente trancada frente ao meu descontrole. Agradecimento imenso... Mas mesmo hoje, 36 horas depois, ainda sinto os olhos marejarem.
O que não falo e quase não admito nem pra mim mesma é a vontade de cancelar tudo, desistir, terminar o que foi aliançado e partir para um novo mundo de céu azul, fontes cantantes e enfeitado por um lindo arco-íris. O semi-sonho virou pesadelo, peso dele, pesado demais pra ela.
Os óculos que embaçam na piscina, o rosto queima. O choro tira as forças necessárias à escalada das escadas. E uma mensagem vem, de remetente desconhecido, cair feito luva, carapuça de medidas exatas.
Desânimo, depressão, ligações para um psicólogo que nunca atende.
Acabou a admiração, morreu um ídolo pra mim. Virou um lixo, um estorvo. O julgamento paternal, sem nem saber qual seria, já doía, castigava. E nem veio com tanta dor. A possibilidade de adiamento sugerida trouxe mais choro. Porque no fundo, era vontade cancelar tudo. A mensagem foi das mais difíceis de se escrever; a resposta veio imediata, compreensiva, calmante. Tinha que ser por escrito... Mas depois por telefone. Meio sem palavras, compreensivo.
A amiga-irmã carinhosa consola, quase pude sentir suas mãos me abraçando e afagando meu cabelo em solidariedade confortadora a tantos e tantos quilômetros de distância... E ainda que muito frágil e fraca, vou buscando forças não sei de onde, em meio a teclados, telas, telefones e solidão.
Vai passar. Um dia.

sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

I can't get no... satisfaction...

A música é antiga. Mas o problema permanece contemporâneo. A insatisfação constante assombra. Talvez seja trazido por perfeccionismo, neurose, distúrbio obsessivo-compulsivo ou simplesmente um quadro depressivo. Ou por pressão consumista que a vida moderna impõe. A questão é que a constante insatisfação assombra muitos distraídos por aí.
Cada sujeito tem sua visão da vida e sentimentos próprios... Mesmo tendo esta consciência, me assusto com meus próprios pensamentos de insatisfeita. Não basta realizar um desejo, uma vontade. A sensação de realização passa, e rápido. Logo a insatisfação vem de novo e com ela a inveja (palavra dura, mas necessária no contexto) da vida alheia, das benesses e bens alheios, e novos desejos brotam.
É aquela viagem que sua amiga fez, o carro que seu chefe comprou, o apartamento que um conhecido adquiriu, a jóia da sua colega que é mais bonita que a sua, o amor que alguém experimenta de forma plena. Isso incomoda e muito. Nada nunca é suficientemente bom, Por que as coisas são assim?! Essa angústia gera uma sensação de autopunição, de incompetência, fragilidade.
TPM?
Talvez.
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